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O controle social constitui um dos pilares do Sistema Único de Saúde (SUS), sendo fundamental para a participação popular na gestão e fiscalização das políticas públicas de saúde. No entanto, muitos Conselhos Municipais de Saúde enfrentam fragilidades relacionadas à organização interna, baixa participação dos membros e limitada articulação intersetorial, o que compromete sua atuação efetiva. No município de Bonito de Santa Fé, ao assumir a presidência do Conselho Municipal de Saúde em fevereiro de 2025, foram identificadas dificuldades relacionadas à desorganização dos processos administrativos, ausência de calendário sistemático de reuniões e fragilidade na participação dos diversos setores envolvidos na gestão da saúde. Diante desse cenário, foram implementadas estratégias de reorganização do conselho, com destaque para a realização de uma auditoria ampliada e participativa, envolvendo diferentes atores institucionais e a comunidade, com o objetivo de fortalecer o controle social, promover transparência e ampliar a participação na gestão do SUS.
Inicialmente, foi realizado um diagnóstico situacional que evidenciou fragilidades na organização do conselho, incluindo ausência de calendário regular de reuniões, desatualização de documentos e baixa participação dos conselheiros. A partir desse diagnóstico, foram implementadas ações de reorganização administrativa, como atualização do regimento interno, construção e cumprimento de calendário anual de reuniões, organização documental e criação de canais de comunicação com a população, incluindo redes sociais institucionais.
Conselhos Municipais de Saúde enfrentam fragilidades relacionadas à organização interna, baixa participação dos membros e limitada articulação intersetorial, o que compromete sua atuação efetiva
A realização da auditoria participativa configurou-se como um marco no fortalecimento do controle social no município de Bonito de Santa Fé, ao promover um espaço ampliado de escuta, transparência e integração intersetorial. O encontro reuniu representantes de diversos setores, possibilitando a apresentação e análise de dados concretos da realidade local. A coordenação de vigilância epidemiológica expôs indicadores relacionados ao impacto do Aedes aegypti no ano anterior, evidenciando a necessidade de intensificação das ações preventivas e maior articulação entre os serviços. A área da educação trouxe reflexões acerca da comunicação entre os setores e a necessidade de fortalecimento do fluxo de informações, especialmente no acompanhamento de demandas que atravessam diferentes políticas públicas. Já a apresentação do projeto “Bonito Doa Vida” evidenciou dados sobre captação de doadores e organização do transporte sanitário para o hemonúcleo, demonstrando o uso estratégico de recursos e a ampliação do acesso de usuários ao cuidado em saúde. A gestão hospitalar contribuiu com a exposição da situação dos leitos, disponibilidade de recursos materiais e humanos, além de alertar sobre a preparação para demandas sazonais, como os casos de bronquiolite, reforçando a importância do planejamento integrado. A presença de representantes do poder executivo e legislativo, incluindo o gestor municipal, fortaleceu o caráter institucional da auditoria, destacando a relevância da participação popular e do conselho como espaço legítimo de deliberação. Durante o encontro, foi enfatizada a necessidade de maior envolvimento da população nos espaços de controle social, reconhecendo o conselho como instrumento de escuta das demandas reais do território. Como resultado, observou-se maior engajamento dos conselheiros, fortalecimento do diálogo entre os setores e ampliação da compreensão coletiva sobre os desafios locais, consolidando o conselho como espaço ativo, resolutivo e fundamental
A experiência evidenciou que a reorganização estrutural e a adoção de estratégias participativas são fundamentais para o fortalecimento do controle social no SUS. A realização de auditorias ampliadas e abertas à população mostrou-se uma ferramenta potente para promoção da transparência, integração intersetorial e qualificação da gestão. O fortalecimento do Conselho Municipal de Saúde contribui diretamente para a melhoria das políticas públicas, ao ampliar a participação social e garantir maior fiscalização das ações desenvolvidas. Destaca-se a importância da continuidade das ações de educação permanente e da manutenção de espaços participativos para consolidação de um controle social efetivo e atuante.
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