Mapeamento e territorialização na atenção primária à saúde do município de São Gonçalo (RJ)

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Livia Cardoso Gomes Rosa

Livia Cardoso

Lívia Cardoso

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São Gonçalo iniciou um processo intenso de mapeamento e reterritorialização das equipes de Saúde da Família (eSF) em 2024, com a intenção de reorganizar os territórios de cobertura dessas equipes, identificar os territórios ainda desassistidos e qualificar o cuidado em saúde nos territórios e comunidades. Esta organização tem permitido o melhor dimensionamento da necessidade de Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e eSF para a cobertura de 100% do território municipal, auxiliando na redistribuição das atividades entre os profissionais e no apoio à gestão.
O mapeamento, a territorialização e o cadastramento da população são atividades essencialmente inerentes ao trabalho das eSF, realizadas pelos ACS e coordenadas pelos enfermeiros da equipe e Coordenadores Regionais de APS. A territorialização se apresenta como uma ferramenta imprescindível no planejamento das políticas públicas de saúde e dos programas e ações ofertados pelas Unidades de Saúde de uma região. É uma atividade essencial para organização do trabalho das equipes e deve ser revisitado periodicamente, pois o território é vivo e dinâmico e as equipes devem conduzir esse processo, sempre que necessário.
A territorialização orienta o planejamento das ações, a adscrição da população e a coordenação do cuidado. Diante desse cenário, entre agosto de 2024 e junho de 2025, foi desenvolvida uma experiência de (re)territorialização envolvendo as equipes da APS, com foco na demarcação e validação das áreas de cobertura no município de São Gonçalo. A iniciativa teve como público-alvo as eSF, equipes de Atenção Primária (eAP), ACS e coordenações locais, sendo motivada pela necessidade de qualificar o planejamento em saúde e fortalecer a gestão da informação no território.

A experiência surgiu diante da inexistência de uma estrutura institucionalizada de territorialização na Atenção Primária à Saúde de São Gonçalo. Até 2024, a implantação das equipes de Saúde da Família ocorria de forma desarticulada do planejamento territorial, sem definição técnica formal das áreas de cobertura, critérios padronizados ou instrumentos oficiais que delimitassem os territórios adscritos às equipes. Como consequência, observavam-se frequentes sobreposições territoriais, vazios assistenciais, dificuldade de identificação das populações sob responsabilidade sanitária de cada equipe e fragilidade no planejamento das ações de saúde.
A ausência de mapas oficiais e de um setor responsável pela gestão territorial da APS também comprometia a continuidade das ações, tornando a organização do território dependente do conhecimento individual dos profissionais que atuavam nas unidades a cada ocasião. A alta rotatividade de trabalhadores e a falta de registro sistematizado dificultavam a coordenação do cuidado, o monitoramento da cobertura populacional e a tomada de decisão pela gestão municipal.
Nesse contexto, identificou-se a oportunidade de estruturar um processo permanente de gestão da informação territorial na APS, integrando mapeamento, análise de dados, validação territorial e planejamento em saúde, de forma a fortalecer a governança dos territórios e subsidiar a expansão qualificada da cobertura das Equipes de Saúde da Família no município.
Objetivo geral:
Realizar o mapeamento, demarcação e validação dos territórios das equipes de Saúde da Família de São Gonçalo, para qualificar a organização da atenção e subsidiar o planejamento em saúde.
Objetivos específicos:
Oficializar os territórios adscritos das equipes junto aos profissionais;
Padronizar a exposição dos mapas nas unidades de saúde;
Identificar áreas descobertas e sobreposições de cobertura;
Subsidiar a ampliação da cobertura e a reorganização das equipes.

A experiência envolveu a validação de aproximadamente 1.400 microáreas, correspondentes a 208 eSF e 19 eAP. Ao longo desse periodo, foram realizadas visitas técnicas em 92 unidades de saúde, possibilitando a construção coletiva dos mapas territoriais e o fortalecimento do vínculo das equipes com seus territórios de atuação.
O processo permitiu identificar áreas descobertas, com cerca de 220 microáreas sem cobertura de ACS, além de sobreposições territoriais e inconsistências na delimitação das áreas adscritas, evidenciando a necessidade de reorganização territorial e qualificação do planejamento assistencial. Também possibilitou aprimorar a análise dos cadastros nos sistemas de informação, reforçando a importância da atualização e da fidedignidade dos dados utilizados pela gestão e pelas equipes.
Com a validação dos territórios e a incorporação de bases oficiais do IBGE de 2022, especialmente a malha dos Setores Censitários e os dados de população residente, tornou-se possível revisar e redimensionar áreas de cobertura, promovendo ampliações e ajustes territoriais mais compatíveis com a realidade populacional do município. Essa estratégia tem contribuído para ampliar o acesso da população gonçalense à APS e subsidiar o planejamento da expansão da cobertura assistencial de forma mais equânime e organizada, fornecendo suporte técnico e preciso ao gestor municipal.
Outro resultado relevante foi o início do processo de institucionalização dos territórios da APS municipal por meio da produção e entrega de mapas oficiais às unidades de saúde. Até o momento, foram confeccionados, entregues e afixados nas unidades 18 mapas de cobertura territorial, contemplando 45 equipes, e fortalecendo a identificação dos territórios de atenção a saúde pelos profissionais atuantes nas equipes e sobretudo pelos usuários pertencentes a esses territórios. Observou-se, portanto, maior engajamento dos ACS e das equipes no reconhecimento do território como elemento central do processo de trabalho, favorecendo a apropriação das informações territoriais e o fortalecimento das ações de vigilância, governança da informação em saúde, planejamento local e coordenação do cuidado no município.

A experiência demonstrou que o mapeamento e a territorialização constituem estratégias essenciais para a organização da APS, permitindo maior conhecimento das singularidades territoriais, identificação de vulnerabilidades e qualificação do planejamento em saúde.
O processo contribuiu para dar visibilidade à territorialização na agenda municipal e fortalecer o papel da gestão da informação na tomada de decisão. Destaca-se, contudo, a necessidade de institucionalização, padronização e atualização periódica dos mapas das equipes, reconhecendo a territorialização como um processo contínuo, dinâmico e estratégico para a gestão e o cuidado em saúde.

autor Principal

Livia Cardoso Gomes Rosa

liviasg.rj@gmail.com

Sanitarista

Coautores

Livia Cardoso Gomes Rosa, Leticia de Paula Duarte, Fábio Melo Pereira

A prática foi aplicada em

São Gonçalo

Rio de Janeiro

Sudeste

Esta prática está vinculada a

Rodovia Niterói - Manilha, 100 - Boa Vista, São Gonçalo - RJ, Brasil

Uma organização do tipo

Instituição Pública

Foi cadastrada por

Lívia Cardoso

Conta vinculada

02 abr 2026

CADASTRO

08 jun 2026

ATUALIZAÇÃO

01 ago 2024

inicio

fim

Condição da prática

Andamento

Situação da Prática

Arquivos