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BH de mãos dadas contra a Aids

PRISCILA DE MOURA FRANCO

Priscila de Moura Franco

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PRISCILA DE MOURA FRANCO

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O programa foi desenvolvido para enfrentar a alta prevalência de HIV/AIDS e outras ISTs na população em situação de vulnerabilidade de Belo Horizonte, que apresenta taxa significativamente superior à população geral. Esta população enfrenta múltiplas barreiras no acesso aos serviços convencionais de saúde, incluindo: estigma e discriminação por parte de profissionais e outros usuários; exigência de documentação que muitos não possuem; incompatibilidade entre os horários dos serviços e a rotina da vida; dificuldades logísticas para deslocamento; e desafios na adesão a tratamentos devido à instabilidade habitacional (falta de local seguro para guardar medicamentos, dificuldade em seguir horários de medicação) ou de deslocamento.
Soma-se a isso a intersecção de vulnerabilidades: alta prevalência de uso nocivo de álcool e outras drogas (mais de um terço da população), sofrimento mental, violência estrutural e insegurança alimentar, que amplificam os riscos de infecção e dificultam o autocuidado. O programa busca superar estas barreiras através de uma abordagem adaptada às especificidades desta população.
A metodologia do programa é fundamentada em dois pilares essenciais: a redução de danos e a abordagem entre pares. Esta estratégia permite um diálogo horizontal e efetivo sobre temas sensíveis como sexualidade, uso de drogas, diversidade sexual e prevenção de ISTs, rompendo barreiras que os serviços tradicionais de saúde frequentemente enfrentam ao tentar alcançar estas populações.

O programa atua em três frentes principais:
1. Formações: Oficinas e palestras ministradas por educadores sociais sobre temas como sexualidade, IST e prevenção combinada, diversidade sexual, raça/etnia, drogas, redução de danos e saúde mental.
2. Trabalho de Campo (Redução de Danos): Atuação nas 9 regionais de BH, com abordagem e acompanhamento de populações vulneráveis, com foco na prevenção de ISTs e redução do uso abusivo de álcool/drogas.
3. Ações: Atuação em eventos com informação e prevenção fazendo uso de metodologias diversas para melhor alcance da população em geral.

A prevalência autodeclarada de HIV/AIDS na população em situação de rua em Belo Horizonte é de aproximadamente 3,3%, conforme o IV Censo da População em Situação de Rua (2022) – taxa significativamente superior à média nacional, que é de 0,4%. Além disso, foram identificadas prevalências preocupantes de outras ISTs, como Sífilis (cerca de 1,9%) e Hepatites Virais (cerca de 2,6%).
O Boletim Epidemiológico de HIV/AIDS de Belo Horizonte (2024) indica que, entre os novos casos de HIV diagnosticados na cidade, aproximadamente 15% ocorrem em pessoas em situação de rua ou com alta vulnerabilidade social. Destes, 70% são diagnosticados em fases avançadas da infecção, o que aumenta os custos de tratamento e reduz as chances de controle efetivo da doença.
Conforme cenário perceb-se a necessidade de ampliar o acesso equitativo à prevenção combinada, diagnóstico precoce e vinculação ao cuidado em HIV/AIDS e outras IST´s para as populações chaves e prioritárias em Belo Horizonte, através de uma abordagem territorial, humanizada e baseada na redução de danos.

1 Ampliação do acesso à testagem: Aumento de 35% no número de testes rápidos realizados na população em situação de rua entre 2019 e 2025, alcançando pessoas que dificilmente acessariam os serviços convencionais.
2 Diagnóstico precoce: Identificação de casos de HIV em fases iniciais da infecção.
3 Vinculação efetiva ao tratamento: Taxa de vinculação aos serviços especializados de 76% entre os casos diagnosticados – resultado notável considerando as barreiras enfrentadas pela população em situação de rua principalmente. Destes, 55% permaneceram em tratamento após 6 meses.
4 Redução de práticas de risco: Pesquisas de comportamento realizadas com usuários regulares do programa indicam redução em práticas sexuais desprotegidas e no compartilhamento de equipamentos para uso de drogas.
5 Ampliação da cobertura territorial: Presença consistente nas nove regionais de Belo Horizonte, com abordagens mensais de 3.000 por mês, garantindo capilaridade e alcance em diferentes territórios.
6 Fortalecimento da rede intersetorial: Estabelecimento de fluxos efetivos com Centros de Saúde, CTA/SAE, CAPS AD e Centros POP do município, melhorando a integralidade do cuidado.
7 Redução do estigma: Sensibilização de mais de 300 profissionais da rede SUS e SUAS através de capacitações sobre abordagem humanizada e livre de preconceitos à população vulnerabilizada.
8 Formação de multiplicadores: 2839 oficinas de sexualidade e temas interseccionais executadas com formação de 14.375 multiplicadores.

A experiência demonstra que a abordagem entre pares e a redução de danos e a formação de multiplicadores são estratégias fundamentais para alcançar populações altamente vulnerabilizadas. A flexibilidade nos horários e locais de atendimento (incluindo períodos noturnos) mostrou-se essencial para adaptar-se à dinâmica da vida nas ruas. Aprendemos que o vínculo de confiança precede qualquer intervenção técnica e que o respeito à autonomia dos usuários aumenta significativamente a adesão às orientações e tratamentos. A articulação intersetorial prévia é crucial para garantir a continuidade do cuidado e da transmissão de informações para melhor acesso da população aos cuidados em saúde sexual.

autor Principal

PRISCILA DE MOURA FRANCO

pfranco@pbh.gov.br

Coordenação

Coautores

Priscila de Moura Franco

A prática foi aplicada em

Belo Horizonte

Minas Gerais

Sudeste

Esta prática está vinculada a

Rua dos Caetés, 466 - Centro, Belo Horizonte - MG, Brasil

Uma organização do tipo

Instituição Pública

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PRISCILA DE MOURA FRANCO

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24 mar 2026

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24 mar 2026

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