Da notificação ao plano de ação: experiência do núcleo de segurança do paciente na prevenção de lesão por pressão

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Gabriella Rodrigues Sant Anna

Gabriella Sant Anna

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O Núcleo de Segurança do Paciente (NSP) tem como finalidade promover, implementar e monitorar práticas voltadas à segurança assistencial e à gestão de riscos, com o objetivo de reduzir a ocorrência de eventos adversos e garantir uma assistência segura, qualificada e centrada no paciente. Para subsidiar suas ações, o núcleo utiliza um sistema de notificação de incidentes e eventos adversos, por meio do qual os profissionais de saúde registram ocorrências relacionadas aos pacientes internados.
A partir dessas notificações, o NSP realiza a análise dos casos, encaminha as demandas aos gestores dos respectivos setores e, com base nas evidências levantadas, elabora planos de ação direcionados à mitigação dos riscos identificados. Em muitos casos, tais planos envolvem a elaboração e/ou atualização de protocolos institucionais, Procedimentos Operacionais Padrão (POP) e outros documentos normativos, cuja efetividade depende diretamente da adequada implantação e da capacitação dos profissionais envolvidos na assistência.
Nesse contexto, a Educação Permanente em Saúde constitui-se como estratégia fundamental para a consolidação da cultura de segurança, ao transformar demandas assistenciais em oportunidades formativas. As ações educacionais são estruturadas a partir das necessidades identificadas nas análises do NSP, sendo fundamentadas em documentos institucionais e alinhadas à realidade do serviço. A metodologia adotada privilegia abordagens ativas de ensino-aprendizagem, estimulando a participação crítica dos profissionais e favorecendo a construção coletiva do conhecimento.
A motivação para o presente relato de experiência emergiu da investigação conduzida pelo NSP do Hospital Municipal Prefeito Aurelino Gonçalves Barbosa após a notificação de dois eventos adversos consecutivos relacionados ao desenvolvimento de lesão por pressão em paciente com fratura de fêmur. Durante a análise dos casos, identificou-se fragilidade no manejo seguro desses pacientes, especialmente no que se refere à mudança de decúbito. Diante desse cenário, foi elaborado como plano de ação a construção do Protocolo de Prevenção de Lesão por Pressão associado ao POP de Mudança de Decúbito, seguido da implementação de uma ação educacional direcionada à equipe assistencial.
A investigação evidenciou insegurança por parte dos profissionais no manuseio de pacientes com fratura de fêmur, sobretudo em relação à mobilização adequada e à prevenção de complicações secundárias. Assim, a ação educativa foi planejada como estratégia para fortalecer o conhecimento técnico, promover segurança na prática assistencial e reduzir o risco de novos eventos adversos relacionados à mobilização inadequada.
O objetivo deste estudo é relatar a experiência dos autores na implementação de uma atividade educacional, realizada após a notificação de dois eventos adversos consecutivos relacionados ao desenvolvimento de lesão por pressão em pacientes internados, ambos com fraturas de fêmur.

A atividade educacional foi fundamental para aprimorar as habilidades dos profissionais no manejo de pacientes com fraturas de fêmur, especialmente no que se refere à prevenção de lesões por pressão e à correta realização da mudança de decúbito. A interação entre teoria e prática, juntamente com a participação ativa dos profissionais, demonstrou ser uma estratégia eficaz para a implementação de protocolos de segurança no ambiente hospitalar. A ação educacional, realizada de forma contextualizada e em conformidade com a realidade do contexto hospitalar, teve um impacto positivo na qualidade do cuidado prestado e na segurança dos pacientes.
Ao aprimorar o conhecimento da equipe quanto à avaliação inicial, imobilização correta e encaminhamento adequado, reduzimos significativamente o risco de agravos e lesões secundárias, promovendo um atendimento mais seguro e eficaz.
Dessa forma, investir na educação permanente dos profissionais contribui diretamente para a melhoria da qualidade do atendimento, otimização dos recursos institucionais e fortalecimento da oferta de serviços de saúde com maior resolutividade e segurança ao paciente

Por meio da lista de presença, foi possível mensurar a participação de 74 (setenta e quatro) participantes na atividade educacional, sendo 58 (oitenta e cinco por cento) pertencentes à equipe de enfermagem efetiva, caracterizando este como o principal público-alvo da ação. Esse dado reforça a relevância da temática abordada, considerando que a equipe de enfermagem constitui a maior força de trabalho no contexto hospitalar e atua diretamente na execução do cuidado ao paciente.

Para avaliar a percepção dos participantes acerca da atividade desenvolvida, foi aplicado um formulário de avaliação de reação composto por nove questões fechadas (objetivas) e duas questões abertas (discursivas). Do total de 58 profissionais de enfermagem que participaram da ação educacional, 32 (55%) responderam ao instrumento, destacando-se que o preenchimento não era obrigatório. Entre os respondentes, seis (18,8%) eram enfermeiros e 26 (81,2%) técnicos de enfermagem, evidenciando predominância dos profissionais que executam diretamente o cuidado assistencial.

Para fins de análise deste relato de experiência, foram consideradas apenas as questões fechadas, uma vez que as perguntas abertas estavam relacionadas a sugestões de futuras ações educativas e não interferiam diretamente no resultado dessa ação educacional.

No que se refere à autoavaliação do conhecimento sobre mudança de decúbito em pacientes com fratura de fêmur antes da ação educacional, observou-se que 6,2% relataram não possuir conhecimento, 50% classificaram seu nível como básico e 25% como intermediário. Apenas 12,4% referiram possuir conhecimento avançado ou muito avançado. Assim, constata-se que 56,2% dos participantes apresentavam conhecimento básico ou inexistente previamente à ação educacional.

Após a realização da atividade educativa, houve mudança significativa nesse cenário. Apenas 6,2% permaneceram no nível básico e 18,7% classificaram-se como intermediário, enquanto 46,9% passaram a se considerar com conhecimento avançado e 28,1% muito avançado. Dessa forma, 75% dos respondentes passaram a relatar nível avançado ou muito avançado, evidenciando crescimento expressivo do conhecimento autorreferido
Observa-se, ainda, redução quase total de profissionais com conhecimento mínimo e ampliação substancial daqueles classificados em nível avançado e/ou muito avançado, que passaram de 4 para 24 participantes, demonstrando impacto formativo relevante.

Em relação à segurança para a realização do procedimento após a ação educacional, 65,6% afirmaram sentir-se seguros, 28,1% parcialmente seguros e 6,2% relataram não se sentirem seguros. Assim, 93,7% dos participantes referiram aumento total ou parcial da segurança assistencial, fator diretamente associado à qualidade do cuidado e à prevenção de eventos adversos.

Quanto à contribuição da ação educacional para a prática assistencial, 75% dos respondentes afirmaram que a ação contribuiu muito e 18,7% que contribuiu parcialmente, totalizando 93,7% de avaliação positiva do impacto na rotina de trabalho. No tocante à clareza e aplicabilidade do conteúdo à realidade do setor, 81,2% consideraram-no totalmente claro e aplicável, enquanto 18,7% o classificaram como parcialmente claro, indicando que a ação educacional foi significativa e alinhada às necessidades assistenciais.

A metodologia adotada também apresentou elevada aprovação, sendo avaliada positivamente por 96,8% dos respondentes, o que demonstra adequação da estratégia pedagógica ao perfil da equipe. Em relação ao tempo destinado à capacitação, realizada em lócus e durante o horário de trabalho, 81,2% consideraram-no adequado, ainda que 18,7% o tenham considerado curto.

A avaliação geral da atividade foi classificada como excelente por 56,2% dos participantes, boa por 34,3% e regular por 9,3%, totalizando 90,5% de avaliação entre excelente e boa. Além disso, 93,7% afirmaram que indicariam o treinamento para outros profissionais, evidenciando elevado índice de recomendação.

Diante dos dados apresentados, conclui-se que a ação educacional promoveu elevação significativa do conhecimento técnico, ampliação da segurança na execução do procedimento, impacto positivo na prática profissional e elevada aceitação metodológica. Os resultados apontam fortalecimento da segurança na mudança de decúbito em pacientes com fratura de fêmur, potencial redução de eventos adversos relacionados à mobilização inadequada, padronização da prática assistencial e conseqüente melhoria na tomada de decisão da equipe de enfermagem, configurando-se como estratégia efetiva de Educação Permanente em Saúde.

A experiência demonstrou que a implementação de ações educativas voltadas à segurança do paciente torna-se mais efetiva quando está diretamente vinculada às necessidades identificadas na prática assistencial. Assim, recomenda-se que instituições interessadas em desenvolver iniciativas semelhantes iniciem o processo a partir da análise sistemática das notificações de incidentes e eventos adversos, utilizando essas informações como base para a construção de planos de ação e estratégias educativas direcionadas.

Outro aspecto fundamental é a integração entre diferentes setores institucionais, especialmente entre o Núcleo de Segurança do Paciente, o Núcleo de Educação Permanente e as coordenações assistenciais. Essa articulação favorece a elaboração de protocolos e Procedimentos Operacionais Padrão (POPs) alinhados à realidade do serviço, além de fortalecer a cultura de segurança no ambiente hospitalar.

Recomenda-se, ainda, a adoção de metodologias ativas de ensino-aprendizagem, como discussão de casos clínicos, simulações e treinamentos práticos no próprio ambiente de trabalho (in loco). Essas estratégias facilitam a participação dos profissionais, estimulam a troca de experiências e contribuem para maior retenção do conhecimento e aplicação imediata na prática assistencial.

Outra orientação importante é adaptar os protocolos e treinamentos à realidade estrutural e assistencial da instituição, especialmente em hospitais de pequeno porte, onde podem existir limitações de recursos ou particularidades no fluxo assistencial. Nesses casos, o apoio de especialistas e a construção coletiva das condutas com a equipe multiprofissional podem contribuir significativamente para a elaboração de práticas seguras e viáveis.

Por fim, recomenda-se monitorar e avaliar continuamente as ações implementadas, utilizando instrumentos de avaliação de reação, análise de indicadores assistenciais e acompanhamento das notificações de eventos adversos. Esse processo permite identificar melhorias, ajustar estratégias educativas e garantir a sustentabilidade das práticas de segurança ao longo do tempo.

autor Principal

Gabriella Rodrigues Sant Anna

gabirodriguessantanna@gmail.com

Enfermeira do NEP e NSP

Coautores

Juliano Barboza, Daniele de Carvalho Lima

A prática foi aplicada em

Pinheiral

Rio de Janeiro

Sudeste

Esta prática está vinculada a

R. Francisco Ribeiro de Abreu, 60 - Mutirão, Pinheiral - RJ, Brasil

Uma organização do tipo

Instituição Pública

Foi cadastrada por

Gabriella Rodrigues Sant Anna

Conta vinculada

12 mar 2026

CADASTRO

12 mar 2026

ATUALIZAÇÃO

inicio

fim

Condição da prática

Concluída

Situação da Prática

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