A sala de espera da UBS Codipi como espaço de educação permanente em saúde na atenção primária de Teresina (PI)

Lívia Maria Mello Viana

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Lívia Maria Mello Viana

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A Educação em Saúde é um meio importante para ampliação do conhecimento de práticas que se relacionam a comportamentos saudáveis por parte dos indivíduos. Nesse contexto, as ações de educação em saúde têm caráter persuasivo, pois procuram preceituar certos comportamentos considerados pertinentes para a prevenção ou minimização de agravos à saúde.
A experiência é realizada pela Equipe 06 da UBS Santa Maria da Codipi fica localizada no bairro de mesmo nome, na zona Norte e periférica da cidade de Teresina, com população em vulnerabilidade social; onde a Equipe 06 funciona no turno da tarde sendo responsável por 4158 pessoas cadastradas. Todos os dias a Equipe aproveita o momento em que os pacientes estão reunidos na sala de espera do atendimento para realizar ações de promoção da saúde facilitando que, de posse dessas informações, possam cuidar de si mesmos e de seus familiares diminuindo o índice de adoecimento e otimizando a utilização dos serviços de saúde.
Na observação do dia a dia da UBS percebeu-se que os pacientes aguardando atendimento estavam ociosos e/ou ansiosos. A Equipe viu naquele momento a oportunidade de, além de acalmá-los, começar um processo de Educação em Saúde significativa, com linguagem acessível, informações direcionadas para o público agendado do dia, retirar as dúvidas sobre saúde e sugestão dos pacientes sobre as rotinas da Unidade. Objetiva-se relatar os resultados da otimização do uso da sala de espera da UBS Codipi como um espaço de participação e práticas de saúde na APS de Teresina.

O primeiro passo foi reunir a Equipe para o estudo dos indicadores da Atenção Primária à Saúde (APS) e as necessidades da Comunidade. Percebeu-se que havia muita falha de comunicação e informações referentes a rotina da unidade e dos Profissionais de Saúde; o adoecimento recorrente com patologias preveníveis por informações e a constante agitação dos pacientes nos períodos de ociosidade antes das consultas. Dessa forma a Equipe decidiu traçar como estratégia a otimização da sala de espera como espaço de educação permanente em saúde para a comunidade nas práticas de saúde.
Entende-se que o espaço da sala de espera é o ideal para reunir a população e começar, aos poucos, a modificar os hábitos de vida e saúde através dos conhecimentos ofertados e da aproximação da Equipe com a população bem como a escolha da pertinência dos temas a serem trabalhados vinculados às demandas do atendimento agendado para o dia. Dessa forma, os temas na sala de espera teriam maior significado para o público e a assimilação seria mais efetiva.
Propõe-se a mudança na rotina do acolhimento na chegada na Unidade para o atendimento, onde a população é convidada a sentar em uma sala especialmente reservada para eles, com climatização adequada, cadeiras suficientes e confortáveis e ter um momento de conversa informal com o Profissional de Saúde para trocas de informações sobre a rotina da Unidade e ações de promoção e proteção à saúde para que eles possam reproduzir em suas realidades individuais.

Na sala de espera são realizadas orientações em relação a prevenção das doenças, cuidados importantes para pacientes com doenças crônicas, informações sobre as rotinas da unidade de saúde, os serviços ofertados e as atividades planejadas pela Equipe dentro do mês.
Para otimizar o uso da sala de espera, a Equipe realiza atividades de Educação Permanente em Saúde, orientação aos pacientes sobre a prevenção de doenças, informações sobre a rede de saúde e práticas de atividades que promovam o empoderamento desses pacientes. Os resultados da experiência são uma população mais tranquila na sala de espera, mais atenta aos temas trabalhados, conhecedora da rotina da unidade e aptas a escolher as ações de proteção de saúde necessárias a cada um; pois conforme palavras dos usuários muitas vezes as ações de Proteção a Saúde não são aderidas por desconhecimento das mesmas.
Houve o aumento expressivo do número de atividades coletivas realizadas: 14 (out), 18 (nov), 09 (dez), 17 (jan), 18 (fev) e 14 (mar), um total de 90 ações em 6 meses para 1655 participantes com as temáticas: 16 combate ao aedes aegypti, 5 agravos e doenças negligenciadas, 68 alimentação saudável, 17 autocuidado de pessoas com doenças crônicas, 71 cidadania e direitos humanos, 6 prevenção ao uso de álcool, tabaco e outras drogas, 13 envelhecimento, 12 prevenção da violência e promoção da cultura da paz, 4 saúde ambiental, 4 saúde mental, 37 saúde sexual e reprodutiva e 90 outros.

Nossa experiência é inovadora porque, apesar da sua importância, não é executada na maioria das ESF e quando é realizada não é com a mesma frequência que e nem com os mesmos resultados de indicadores que nós obtivemos. Parece ser um lugar comum, porém infelizmente é pouco visitado pela maioria das Equipes que não valorizam os espaços comuns de Educação em Saúde ou quando o fazem é de forma mecânica onde a interação com a comunidade é com linguagem muitas vezes inacessível e rebuscada o que dificulta a aprendizagem e por vezes a execução das práticas orientadas no ambiente domiciliar pelos usuários.
Apesar da aparente simplicidade dessa experiência, ela possui impactos relevantes na população e na Equipe pois para mantê-la ativa com a realização de atividade de educação e proteção da saúde de forma rotineira, todos os dias, na sala de espera da UBS exige um desgaste físico e emocional grande da Equipe. Assim, se a Equipe não estiver preparada, coesa e consciente da importância das ações realizadas dificilmente terá continuidade. Deve ser por isso que a maior parte das UBS não investem em ações como essa e não valorizam a sala de espera como o ambiente rico e propício de educação em saúde, participação e engajamento comunitário.

autor Principal

Lívia Maria Mello Viana

liviamariamelloviana@hotmail.com

Enfermeira APS

Coautores

Mariel Osório Silva, Regina Lucia Silva de Mesquita, Walflânia Keila Viana, Maria das Graças Oliveira da Silva, Maria do Livramento Rocha Pereira, Gardene Lacerda Moura, Alaíde Alves de Amorim.

A prática foi aplicada em

Teresina

Piauí

Nordeste

Esta prática está vinculada a

UBS Santa Maria Da Codipi - R. Raimundo Dorotéia, S/N - Santa Maria, Teresina - PI, 64012-450, Brasil

Uma organização do tipo

Instituição Pública

Foi cadastrada por

Lívia Maria Mello Viana

Conta vinculada

21 nov 2025

CADASTRO

24 nov 2025

ATUALIZAÇÃO

21 mar 2023

inicio

fim

Condição da prática

Andamento

Situação da Prática

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