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Resumo
A Coordenação Municipal de Imunizações (CMI) visa coordenar as ações de vacinação dentro do território de Silves, tendo como objetivo controlar a disseminação de doenças, garantir a qualidade dos imunobiológicos, manter o estoque para prevenir surtos e epidemias. Silves é um município localizado no estado do Amazonas, com sua sede situada em uma ilha no coração da Amazônia, com uma população de 11.559 habitantes (IBGE/2022), porem, cadastrada de 11.954 usuários (SISAB), em sua maioria ribeirinha, todos são usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). Os principais rios que compõem o leito hidroviário do município são o rio Amazonas, rio Urubu e rio Anebá com seus afluentes, tendo dois lagos importantes, os Canaçari e Saraca. O município possui 5 equipes de Estratégia de Saúde da Família (ESF), todas com sala de vacinação, das quais 3 estão em zona rural, com 6 pontos de apoio, responsáveis por atender 39 comunidades. Por suas proporções demográficas e geográficas, o deslocamento é feito por embarcações em uma área extensa de rios, lagos e calhas fluviais. Em 2024, pelo segundo ano seguido a região amazônica foi duramente afetada pelas consequências das mudanças climáticas, uma estiagem de proporções até então não registrada em Silves se apresentava. No mês de julho percebemos que o parecia ser atípico, se tornou o novo normal, e novamente grande parte da população ficou em situação de isolamento, impossibilitada de chegar aos pontos de vacinação, sendo necessário implementar estratégias de garantir o atendimento do usuários em período de estiagem. Tornando um modelo para demais equipes que vivenciassem os mesmos desafios.
Detalhe e contexto da experiência
Para facilitar o acesso da população às vacinas, todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS) da zona rural tem estrutura para armazenar e ofertar os imunobiológicos das 19 vacinas disponíveis no SUS. Sendo reposto o estoque semanalmente junto com o deslocamento da ESF, considerando o fluxo natural de cheia e vazante, as equipes programam suas rotinas mantendo a oferta constante da vacinação. Temos uma UBS na Comunidade Igarapé Açu localizada no leito do Rio Urubu, uma UBS na Comunidade Livramento, localizada no leito do Rio Anebá e uma UBS na Comunidade Pampulha localizada dentro do Lago Canaçarí, as equipes residem na comunidade. Porém, diante da estiagem severa tanto a equipe quanto a população se viu isolada, o rio vasto desapareceu, sendo o principal meio de deslocamento da equipe não estava mais disponível. A CMI precisou se adaptar à nova realidade e junto à Defesa Civil do município, decidiram realizar ações coordenadas no período de interstício, visando manter a imunização e não reduzir a área de cobertura. Entre as estratégias adotadas, botes menores substituíram as lanchas, evitando ficarem encalhados no leito dos rios, em algumas localidades canoas dos usuários facilitavam o acesso da equipe. Percebemos que existia um pequeno fluxo fluvial na Comunidade Iguarapé Açu, onde um barco foi usado como ponto de apoio, a equipe ofertava os serviços a partir dele. Quando o rio virou deserto triciclos cedidos pela Defesa Civil locomoveram a vacina e as equipes até os pontos de apoios mais próximos aos usuários.
Diante da estiagem severa, enfrentando uma condição sazona extrema, a CMI em Silves teve que implementar ações de vacinação a população ribeirinha isolada, com intuito de promover o acesso a vacina ampliando a cobertura do Calendário Nacional de Vacinação (CNV). Reuniões junto com cada equipe de ESF nortearam as tomadas de decisão na melhor estratégia para cada localidade. Todos optaram por utiliza o conhecimento territorial do Agente Comunitário de Saúde (ACS) que ficava em comunicação via celular, usando as mídias sociais para identificar as demandas e localizar os usuários, visto que houve um êxodo, devido a estiagem, muitos ribeirinhos migraram para mais próximo a sede do município, ficando em casas de parentes, essa boa comunicação evitou que a equipe levasse imunobiológico e peso desnecessário. Evitando a perda de imunológico, visto que precisamos garantir a qualidade da vacina ofertada. Onde ainda era possível acessar de modo fluvial, foram utilizados botes menores evitando ficar encalhado no leito do rio. Também o uso de um barco foi uma opção para a comunidade Igarapé Açu, visto que a comunidade conseguia acesso a ele por canoa. Para chegar aos ribeirinhos em isolamento total, cronogramas de vacinação itinerante na residência foram utilizados, pelo vacinador junto com o ACS.
A CMI verificou os locais dentro do território em que ainda existia certo fluxo fluvial, e o período e recurso financeiro que seria necessário para chegar as comunidades em botes menores. Montando um cronograma junto as equipes. Onde não era mais possível o acesso fluvial, a opção disponível foram os triciclos disponibilizados pela defesa civil, que levaram as equipes ESF e os imunológicos até o mais próximo aos ribeirinhos. Precisávamos calcular com destreza para que as caminhadas dos vacinadores fosse feita sobre o menor tempo e risco possível. Durante o período da estiagem se iniciou a campanha Nacional da Influenza, realizada em todo território de setembro a outubro de 2024 coincidiu com o auge da estiagem. Mais de 80% do território de Silves estava em isolamento fluvial. Então para manter a imunização e não reduzir a área de cobertura, a gestão junto as equipes optaram por realizar a vacinação itinerante na residência. Os vacinadores junto com os ACS acostumados ao banzeiro do rio, percorriam por quilômetros o leito dos rios, agora estrada de chão e poeira. O apoio do ACS de cada equipe foi fundamental porque o mesmo conhecia o território norteando o deslocamento, e ao contatar previamente via celular os ribeirinhos, verificava quais vacinas cada usuário precisava atualizar na caderneta aproveitando a campanha para os dois fins.
A Coordenação do PMI e ESF ao intensificar as suas atividades referentes à vacinação nas áreas afetadas pela estiagem de 2024. Venceu todas as adversidades e conseguiu chegar aos usuários ribeirinhos em isolamento. Utilizando como ferramenta o apoio dos ACS, por meio das mídias sociais, que divulgavam onde estaria o ponto de vacinação mais próximo, facilitando o encontro entre o vacinador e a população alvo, tornando possível ampliar o alcance da cobertura vacinal em relação ao mesmo período do ano 2023, também afetado pelo evento sazonal atípico. Tendo como resultado o aumento do vinculo com a população assistida, visto que os usuários viram que a equipe estava disposta e enfrentar os desafios que somente o território Amazónico impõe, andando no meio de aningau, puxando canoa há 30 cm de água, correndo o risco de picada de cobra, de ferrada de arraia, andando na mata por quilômetros para chegar até o ribeirinho em isolamento. As medidas adotadas melhoraram os indicadores pactuados junto ao Ministério da Saúde (MS). Tivemos desafios, a exemplo o indicador de vacinas, ministradas ao nascer, disponíveis pelo MS registramos uma queda na cobertura, em relação no ano de 2023 que alcançou 78,87% na BCG, enquanto no ano de 2024 o alcance chegou há 56,84%. Fato reativo as condições de isolamento fluvial, por anseio de não conseguir chegar até uma unidade de saúde as gestantes optaram por se deslocar para a cidade mais próxima, Itacoatiara. Em relação aos demais imunizantes, onde a equipe foi ao usuário, ouve um aumento significativo na cobertura. Podemos destacar a Campanha da Influenza, que alcançou 5.129 doses aplicadas, quando a meta era de 5.406, chegando a 95% de cobertura. Outros imunizantes ultrapassaram os 100%, como a Polio Bivalente com 106,32 a Hepatite A como 110,53% a Tríplice viral com 108,42% e a Varicela com 115,79%. Comprovando uma quantidade de usuários atendida pelas ESF maior do que a reconhecida pelo senso.
Observamos que diante das mudanças climáticas, a estiagem severa é um desafio que passou a ser rotineiro na vivencia de muitos municípios Amazônicos, sendo uma experiencia que serve de modelo para as nossas ações, e pode ser replicada em outros territórios com os mesmos desafios. Os desafios impostos pela natureza, no período da estiagem podem ser atenuados por estruturas melhores, um desses é o deslocamento até mais próximo ao usuário, apesar de os triciclos darem apoio nesse deslocamento, a viagem sobre eles é desconfortável, por não ter cobertura os vacinadores ficaram expostos ao sol Amazônico, percebemos que mais viável seriam carros com tração nas quatro rodas. Também existe o desafio do armazenamento para deslocamento das vacinas pelos vacinadores, muitos dos modelos mais seguros são pesados para transportar no ombro, observamos que devido o terreno ser acidentado as caixas com rodas não são eficaz. Em relação ao armazenamento nas Salas de Vacinação das UBS existe a instabilidade da energia elétrica, que provoca a perda de geladeiras, e durante a estiagem quando ocorrem intercorrências elétricas, as equipes demoram até 7 dias para retornar a oferta energética, provocando a perda de imunológicos. Para enfrentar esse desafio o melhor seria termos energia solar nas UBS da Zona Rural. Mesmo diante desses desafios a CMI em Silves vem vencendo todas as barreiras, mostrando através de medidas simples e de seus apoiadores que tem o poder de lidar com qualquer adversidade. A cada ano buscamos ir avançando para proporcionar melhor qualidade de vida à população silvense ribeirinha, em busca da prevenção de doenças e promoção da saúde. Garantindo um atendimento dentro dos princípios do SUS com equidade e universalidade. Compreendemos que as vacinas são seguras e estimulam o sistema imunológico a proteger a pessoa contra doenças preveníveis, portanto todos o esforço para levar ela até o usuário é valida. Reconhecemos que ainda precisamos avançar para alcançar indicadores melhores e ampliar nossa cobertura vacinal em meio a estiagem.
Rua Castelo Branco - Centro, Silves - AM, Brasil
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