A saúde mental no sistema prisional é impactada por superlotação, solidão e escassez de atividades. A Clínica da Atenção Psicossocial propõe um modelo alternativo ao manicomial, focado na autonomia e reintegração social. No Instituto Penal Oscar Stevenson, com capacidade para 300 internas, foi implementado um modelo de cuidado psicossocial baseado em rodas de conversa, oficinas e peças teatrais sobre saúde. Essas atividades reduziram o consumo de psicotrópicos e promoveram engajamento social.
A reforma psiquiátrica defende a desinstitucionalização e a integração social (3,4). A atenção psicossocial valoriza a comunidade e a criação de redes de apoio, seguindo princípios da RAPS e Projetos Terapêuticos Singulares (3,4). Alves e Francisco (5) destacam a necessidade de práticas que vão além da medicalização, promovendo transformação social. Saraceno (6) reforça a importância de estratégias de empoderamento. A OMS alerta que pessoas com transtornos mentais enfrentam tratamento inadequado e abusos (7).
No Instituto Penal Oscar Stevenson, a equipe multidisciplinar identificou alto consumo de psicotrópicos. A desmedicalização associada a práticas psicossociais resultou em menor uso de medicamentos e maior participação das internas (2,8). A experiência demonstra a importância de estratégias inovadoras para promover saúde mental e reintegração social dentro do sistema prisional (9,10).
O objetivo deste relato é compartilhar práticas integradas de atenção psicossocial que se mostraram eficazes no Instituto Penal Oscar Stevenson, com a intenção de oferecer um modelo que possa ser adotado em outras unidades prisionais.
No Instituto Penal Oscar Stevenson, a equipe multidisciplinar identificou alto consumo de psicotrópicos. A desmedicalização associada a práticas psicossociais resultou em menor uso de medicamentos e maior participação das internas (2,8). A experiência demonstra a importância de estratégias inovadoras para promover saúde mental e reintegração social dentro do sistema prisional (9,10).
Ao identificar alto consumo de psicotrópicos no Instituto Penal Oscar Stevenson, a equipe de saúde iniciou o mapeamento das internas medicadas, criando um controle de dispensação. Foram analisados prontuários, receitas e realizados encontros com a psiquiatra e a psicóloga para reavaliação dos tratamentos. A psiquiatra conduziu a desmedicalização e a psicóloga implementou atendimentos semanais (2,8).
Foram realizadas rodas de conversa abertas, onde as internas relataram o impacto da ociosidade e da falta de atividades em sua saúde mental. A equipe incorporou sugestões das privadas de liberdade, incluindo peças teatrais sobre temas de saúde, oficinas de artesanato e cursos de monitores de saúde. A primeira peça teatral abordou a dengue, seguida por apresentações sobre ISTs e tuberculose, envolvendo a equipe de saúde e policiais penais (3,9).
Além disso, foram desenvolvidas oficinas de artesanato utilizando materiais recicláveis, promovendo habilidades terapêuticas. A gestão implementou o curso “Monitores de Saúde”, capacitando internas para auxiliar na triagem de sintomas e demandas da unidade. Essas estratégias promoveram engajamento, corresponsabilidade e melhora da saúde mental das internas (4,10).
A implementação das práticas psicossociais no Instituto Penal Oscar Stevenson resultou na redução do uso de psicotrópicos e maior engajamento das internas. O mapeamento inicial evidenciou prescrições excessivas, levando à adoção de um modelo de cuidado mais humanizado. As rodas de conversa promoveram escuta ativa, permitindo a construção de estratégias coletivas (2,8).
A introdução de peças teatrais como ferramenta educativa engajou internas, equipe de saúde e policiais penais. A primeira peça sobre dengue foi bem recebida, levando a novas apresentações sobre ISTs e tuberculose. Oficinas de artesanato proporcionaram bem-estar e fortalecimento da autoestima, com a reutilização de materiais recicláveis (3,9).
O curso “Monitores de Saúde” capacitou internas para auxiliar no fluxo de atendimento, otimizando a triagem e promovendo corresponsabilidade no cuidado. Estudos indicam que iniciativas educacionais reduzem reincidência em 43%, reforçando a relevância de programas que combinam educação e saúde no ambiente prisional (10,11). O impacto positivo confirma a necessidade de ampliar essas estratégias (4,12).
A experiência no Instituto Penal Oscar Stevenson demonstrou que uma abordagem centrada nas privadas de liberdade, aliando desmedicalização e práticas psicossociais, melhora a saúde mental e a qualidade de vida das internas. Atividades lúdicas e educativas, como teatro e oficinas de artesanato, reduziram o consumo de psicotrópicos e promoveram maior engajamento (2,8).
A integração da equipe de saúde com as privadas de liberdade foi essencial para o sucesso das intervenções. A formação de monitoras de saúde possibilitou uma rede de apoio interna e contribuiu para a corresponsabilização no cuidado, favorecendo um ambiente prisional mais humanizado (3,9).
A replicação dessas práticas em outras unidades pode ampliar os benefícios observados. Estratégias de atenção psicossocial devem ser incorporadas às políticas públicas para garantir o direito à saúde e a reintegração social das privadas de liberdade (4,10).
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