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Preenchendo o Vazio da Alma: o tratamento dos transtornos do humor em grupo no SUS através do projeto Pode falar

O projeto Pode Falar surgiu em 2017 devido a grande demanda por serviço de saúde mental no município de Leopoldina MG.
Devido a grande fila de espera para atendimentos de psicologia a equipe do serviço desenvolveu uma estratégia onde os usuários seriam durante o processo de triagem convidados a participar de um grupo psicoeducativo sobre os transtornos de humor. Inicialmente algumas pessoas resistiram ao convite receosas por uma exposição em grupo, contudo a pessoa era encorajada a participar sem a necessidade de falar, ou falar somente se assim sentisse vontade, e que nos grupos seriam avaliado a necessidade de encaminhamento para atendimento individual e que através do grupo a espera o atendimento seria menor.
Os grupos eram divididos em blocos com temas sobre: depressão, ansiedade, psicotrópicos, sentimentos de culpa/medo, assertividade, luto, suicídio, relacionamentos entre outros que o grupo julgassem pertinente. Ao fim de cada grupo abria-se o espaço para que cada participante falasse o seu entendimento sobre tema, sem pressão para aqueles que não se sentissem á vontade.
Aos poucos os usuários iam se tornando mais íntimos e o espaço de fala dos usuários ganhavam espaço sobre a fala dos mediadores, criava-se um espaço coletivo de cooperação e identidade onde muitos dos usuários preferiam permanecer na terapia em grupo ao invés de terapia individual.
A medida que o grupo ia amadurecendo ele de transformava de um grupo psicoeducativo em um grupo operacional onde os participantes desenvolviam autonomia para acolher as dores uns dos outros, ficando os mediadores com um menor espaço de fala e acolhendo os casos mais complexos que necessitavam intervenção técnica.
O espaço físico dos encontros eram dinâmicos, mesmo acontecendo na maioria das vezes dentro da unidade de saúde, não era raro o grupo se reunir fora desse espaço, programando piqueniques em hortos florestais ou em forma de excursões para cidades vizinhas, reafirmando com descontração o sentimento de pertencer a um grupo onde as dificuldades podiam ser compartilhadas.

A depressão é um transtorno mental comum e caracteriza-se por tristeza persistente e desinteresse ou incapacidade para realizar atividades diárias. Adultos com depressão relatam perda de energia, mudança no apetite e na rotina do sono, ansiedade, redução na concentração, inquietação, sentimentos de inutilidade, culpa, desesperança e pensamentos de autoagressão ou suicídio. A Organização Mundial da Saúde estima que em 2020 a depressão seja a segunda principal causa de incapacidade. No Brasil, 5,8% da população sofre com desordens depressivas e 9,3% com transtornos de ansiedade. Observou-se no município de Leopoldina/MG, alta demanda por terapias de psicologia e psiquiatria no serviço de referência, oriunda da Atenção Primária em Saúde (APS) com o motivo de alteração de humor. Tal panorama, aliado à observação de uso excessivo de psicofármacos motivou a elaboração, em maio de 2017, do Projeto Pode Falar.

O programa tem se mostrado eficaz no intuito de reduzir a fila de espera no SUS, no entanto, é necessário considerar o aumento da demanda por tratamento em saúde mental pós pandemia e por mais eficaz que venha sendo não é o suficiente para acabar com as filas de esperas. O público que mais aderem ao grupo são mulheres em sua maioria com mais de 30 anos de idade, e com frequência as queixas giram em torno conflitos familiares, como por exemplo: mal comportamento dos filhos, dificuldades no casamento, divórcio, uso de drogas por parte de membros da família, abusos sexuais, violência doméstica, sentimento de solidão e incompreensão, assédios, doenças crônicas dentre outras. Esse público geralmente frequenta muitos as unidades básicas de saúde sem conseguir descrever muito bem o que sente, sempre solicitando consultas médicas e exames, uma fez que não conseguem diferenciar o sentimento de angústia/ansiedade de outras patologias, muitas vezes essas pessoas por se sentirem incompreendidas e pelos fato dos exames não acusar nenhuma patologias se tornam irritadiças provocando uma reação negativa dos servidores da saúde acabando por gerar conflitos. Nesse sentido o grupo também se transformou em uma “válvula de escape” desse público que tem suas queixas acolhidas no grupo diminuindo assim a demando por consultas medicas.

Muitas vezes por falta de conhecimento por parte vários setores públicos, incluindo até mesmo alguns servidores da saúde os grupos não são muito valorizados, são vistos como “passa tempo” e não são compreendidos como terapia, essa fator acaba por dificultar o trabalho uma vez que coloca em em dúvida a eficiência do trabalho. Recomendo aos que se proporem as que se interessarem a replicarem esse projeto que coloquem inicialmente no planejamento um trabalho de conscientização dos poderes públicos de conhecimento básico dos direitos em saúde mental clarificando conceitos básicos da luta anti manicomial, da eficiência em saúde das estratégias de prevenção e manutenção da saúde mental sobre as práticas “curativas”. Recomendo ainda apresentação bem elaborada do projeto com problema, justificativa, relevância e resultados esperados para a camara de vereadores no intuito de transformar o projeto em programa para que assim se consiga verbas para viabilizar o trabalho com mais facilidade.

Principal

Lisângelo José Coimbra Fontora

fontor@live.com

Psicólogo

Coautores

Marcella de Souza Freitas

A prática foi aplicada em

Leopoldina

Minas Gerais

Sudeste

Esta prática está vinculada a

Rua Benedito Valadares, 52 bairro Fábrica - Leopoldina MG

Uma organização do tipo

Instituição Pública

Foi cadastrada por

Lisângelo José Coimbra Fontora

Conta vinculada

fontor@live.com

A prática foi cadastrada em

02 jun 2023

e atualizada em

09 fev 2024

Seu Período de Execução foi de

até

Condição da prática

Concluída

Situação da Prática

Arquivos

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