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Clave de Sois: a música enquanto recurso rerapêutico.

FINALIDADE DA EXPERIÊNCIA: Trata-se de uma oficina que utiliza a música como recurso terapêutico, que disponibiliza um espaço de protagonismo, socialização e inclusão social mais efetiva, oportunizando aos usuários com transtorno mental, pessoas historicamente estigmatizadas pela sociedade, levar a música às pessoas internadas em instituições de saúde e de longa permanência.

DINÂMICA E ESTRATÉGIAS DOS PROCEDIMENTOS USADOS: As oficinas são coordenadas pela terapeuta ocupacional, ocorrem uma vez por semana com ensaios realizados com um professor de música que é disponibilizado pela Casa da Cultura. Constantemente, durante as oficinas, a profissional avalia as atividades desenvolvidas e as condições psíquicas dos usuários, averiguando se há necessidade de intervenções terapêuticas, ou de encaminhamento para tratamento clínico. Reuniões com o professor de música para alinhamento de ações e ajustes com a intenção de manter o foco terapêutico, são frequentes. São utilizados recursos como: figurinos e adereços, instrumentos musicais, adaptações para facilitar a memorização das músicas, filmagem, fotografia e exercícios de relaxamento.

INDICADORES/VARIÁVEIS/COLETA DE DADOS: Em função da vulnerabilidade emocional desses usuários, as avaliações são determinantes para a definição do nível de complexidade da atividade musical. Com o decorrer da implantação do projeto, constatou-se que os usuários evoluíram musicalmente, e sentem-se valorizados quando o nível de complexidade é elevado, embora este não seja o objetivo do projeto. A oficina iniciou com 03 (três) usuários que permanecem no projeto, atualmente, conta com 08 (oito). Ocorreram mudanças positivas em relação ao comportamento dos integrantes, melhora significativa em relação a autonomia e ao humor, elevando a autoestima e autoconfiança. Outro fato importante a ser considerado é que diminuíram os episódios de reagudização.

OBSERVAÇÕES/AVALIAÇÃO/MONITORAMENTO: Constantemente, durante as oficinas são realizadas avaliações pela terapeuta ocupacional a fim de verificar diversos aspectos: evolução terapêutica, se os objetivos propostos estão sendo alcançados, se há condições psíquicas e se existe a necessidade de intervenções terapêuticas ou encaminhamento para tratamento clínico. São utilizadas as filmagens das apresentações, como uma das ferramentas no processo de autoavaliação, possibilitando aos usuários a oportunidade visualizar sua performance musical. Apesar da performance musical, não ser o foco da conduta terapêutica, constatamos que existe por parte dos usuários a preocupação em melhorar as apresentações.

A música vem sendo utilizada como uma ferramenta capaz de tranquilizar e alegrar pessoas em tratamento de saúde. Sua sonoridade, está diretamente ligada ao sistema límbico do cérebro, região responsável pelas emoções, motivações e afetividade, proporcionando conforto, aconchego e alívio do stress. Além de proporcionar benefícios a quem canta, também provoca efeitos positivos na vida de quem ouve, possibilitando extravasar sentimentos, elevar a autoestima e bem-estar pessoal, consequentemente melhora a qualidade de vida das pessoas. Na época da Primeira Guerra Mundial, profissionais músicos, em função da comprovação dos efeitos relaxante e sedativo da música, utilizavam audição musical em hospitais dos Estados Unidos com doentes vítimas da guerra. Hoje, em função dos vários benefícios que a música proporciona, a exemplo da liberação de endorfina que contribui para o alívio da dor, várias instituições de saúde, vêm se utilizando desse recurso. A ideia de implantar uma oficina onde pessoas com transtorno mental pudessem levar a música para instituições de saúde e de longa permanência surgiu após observar alguns usuários do Serviços Organizados de Inclusão Social (Sois) durante as oficinas. Esses apresentavam rebaixamento da autoestima e sentimento de desvalorização pessoal, todavia, demonstravam interesse, motivação e potencial para o canto. As oficinas, enquanto processo terapêutico, vêm contribuindo para quebra de estigmas e preconceitos, de forma mais efetiva e significativa, proporcionando inclusão social. Nesse contexto, nasceu o projeto Clave de Sois no mês de outubro de 2015. Esse grupo, através de apresentações musicais, vem proporcionando momentos de alegria, descontração, alívio de tensões, por vezes, levando o ouvinte a mudar o foco da doença e/ou da dor.

Durante muito tempo, as pessoas com transtornos mentais foram excluídas da sociedade, por vezes internadas em manicômios, em situação precária. Atualmente, ainda são encaradas de forma preconceituosa por grande parte da população, em função da falta de informação, crenças falsas e estigmas construídos ao longo da história. No início de sua implantação, no final do ano de 2015, nos deparamos com a resistência da instituição de saúde hospitalar, que não demonstrou interesse, por outro lado, foi apresentado e aceito por uma instituição de longa permanência. Com o decorrer do tempo, tornou-se conhecido, através das apresentações em diversos eventos na cidade. Outro fator que contribuiu também para o seu reconhecimento e valorização, foi a visibilidade que foi dado ao ser premiado na 1ª Mostra de Experiências Exitosas da Secretaria Municipal da Saúde de Joinville, em novembro de 2016. Uma nova tentativa junto a instituição de saúde hospitalar foi realizada, desta vez com sucesso. Existe ainda um longo caminho a ser percorrido, o projeto Clave de Sois é mais uma ferramenta de inclusão.

Principal

Cristiane Regina Tavares

cristiane.tavares@joinville.sc.gov.br

A prática foi aplicada em

Joinville

Santa Catarina

Sul

Instituição

R. Itajaí, 51

Uma organização do tipo

Instituição Privada

Foi cadastrada por

Cristiane Regina Tavares

Conta vinculada

A prática foi cadastrada em

02 jun 2023

e atualizada em

26 mar 2024

Condição da prática

Concluída

Situação da Prática

Arquivos

Palavras-chave

nenhuma

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