Em um país como o Brasil, celebrar o Dia Internacional das Mulheres, conquistado como símbolo de luta pela igualdade, pelos direitos e pela dignidade, é confrontar um presente doloroso que aponta uma existência que ainda é violenta contra meninas e mulheres. Desde 2015, quando a Lei do Feminicídio foi sancionada no Brasil, milhares tiveram suas vidas ceifadas por simplesmente serem mulheres.
Entre 2015 e 2024, foram registrados mais de 11.650 feminicídios no país, mortes violentas motivadas pela condição de gênero. Em 2024, o Brasil contabilizou 1.450 feminicídios, segundo dados oficiais relatados no Relatório Anual Socioeconômico da Mulher (Raseam). Os números equivalem a uma mulher assassinada a cada 17 horas. Trata-se de milhares de vidas que são vítimas de um ciclo de opressão e violência que começa muitas vezes dentro de casa.
A gravidade da violência sexual no Brasil
A violência sexual, outra face dessa realidade, escancara ainda mais a gravidade da situação. De acordo com o Raseam, em 2024, registraram-se 71.892 casos de estupro de mulheres, o equivalente a 196 vítimas por dia. Em 2025, o país registrou mais de 83 mil casos de estupro e estupro de vulnerável — aproximadamente 227 vítimas por dia, ou seja, uma vítima a cada seis minutos.
Esses números são apenas a ponta de um iceberg: muitos casos não chegam a ser registrados por medo, vergonha ou descrença nas instituições. Ainda assim, mostram que a violência de gênero não é um fenômeno isolado, mas estrutural que atravessa classes e idades. Afinal, dados também revelam que mulheres negras são desproporcionalmente afetadas, o que evidencia como violência e desigualdade se entrelaçam.
Diante disso, celebrar o Dia Internacional das Mulheres não é apenas marcar uma data, mas renovar o compromisso coletivo com a defesa dos direitos das meninas e mulheres e na construção de uma sociedade mais igualitária.
Cuidado, acolhimento e proteção no SUS
Desta maneira, comprometida com a vida das milhares de meninas e mulheres, a Plataforma IdeiaSUS Fiocruz destaca o documentário Sala Lilás, disponível no canal da IdeiaSUS no Youtube e na Plataforma de Filmes da VideoSaúde, a Fioflix. O filme, lançado pela IdeiaSUS e a VideoSaúde Fiocruz durante a campanha do Agosto Lilás, em 2024, mês de conscientização pelo fim da violência contra as mulheres, retrata o cotidiano de um serviço do Sistema Único de Saúde (SUS), instalado no HospitalMunicipal Victor de Souza Breves (HMVSB), em Mangaratiba, na Costa Verde do Rio
de Janeiro.
Batizado de Sala Lilás, ele vem ressignificando a vida de milhares de vítimas de todas as formas de violência. O serviço conta com atendimento médico — clínico, pediátrico, ginecológico ou mesmo ortopédico —, e uma equipe multiprofissional, formada por psicólogas, enfermeiras e assistentes sociais, que acompanha todo o processo de atenção às mulheres, bem como crianças e adolescentes e pessoas LGBTQIA+. A unidade é, também, responsável pelo preenchimento do Boletim de Atendimento Médico, que serve como prova de corpo delito indireto.
Ainda no banco de práticas da Plataforma IdeiaSUS Fiocruz, realçam-se outras iniciativas que promovem o acolhimento e o cuidado de meninas e mulheres em todos os seus aspectos. Essas iniciativas refletem como o SUS se faz presente em todo o país. Confira abaixo:
Acesso facilitado ao mamógrafo itinerante: identificação precoce do câncer de mama
Roda de Mulheres do Hospital Federal de Bonsucesso (HFB)
Cuidando delas: saúde da mulher nas confecções
Vozes da Saúde destaca a luta das mulheres quilombolas pescadoras de Conceição das Salinas (BA)
Mulheres que lutam por direitos: projeto reforça a importância da formação de lideranças mulheres
Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Por: Katia Machado e Ana Karolina Carvalho (IdeiaSUS Fiocruz)