Perfil epidemiológico de acidentes de motocicletas em Volta Redonda (RJ): um relato de experiência sobre prevenção (2023–2025)

Eluananda Borges Rodrigues

eluananda

Esta prática está EM MODERAÇÃO por

Eluananda Borges Rodrigues

favor seguir as recomendações abaixo:

Nenhuma recomendação da moderação

O crescimento da frota de motocicletas em Volta Redonda (RJ) tem repercussões diretas sobre a saúde pública, uma vez que intensifica a incidência de acidentes e aumenta a demanda sobre os serviços assistenciais. A caracterização epidemiológica desses eventos constitui ferramenta essencial para o planejamento e implementação de políticas públicas de prevenção. Trata-se de um estudo descritivo, fundamentado na análise de 1.988 registros de acidentes envolvendo motociclistas notificados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), no período de janeiro de 2023 a julho de 2025. As informações foram obtidas pelo Centro Regional de Saúde do Trabalhador do Médio Paraíba I (Cerest/VR), em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde, considerando as variáveis sexo, faixa etária, ocupação, horário de ocorrência e sazonalidade. Os resultados evidenciaram predominância do sexo masculino (78%), com maior concentração de casos entre indivíduos de 18 a 40 anos (75,6%). O grupo ocupacional mais acometido foi o dos motoboys (35%), embora 53% das notificações não tenham registrado a ocupação, revelando subnotificação de acidentes de trabalho. No que se refere à temporalidade, observou-se que 35,1% dos acidentes ocorreram no período noturno, enquanto 45% concentraram-se entre os meses de agosto e dezembro. O perfil delineado indica a necessidade de estratégias intersetoriais de prevenção, pautadas em ações educativas, fiscalização e promoção da saúde do trabalhador. A partir dos achados, o município passou a desenvolver iniciativas integradas, tais como a criação de pontos de apoio para motoboys, intensificação do monitoramento por câmeras do CIOSP, oferta de cursos de pilotagem segura, realização de blitz educativas e projetos voltados à formação de crianças e adolescentes (Piloto Cidadão e Mini Cidade do Trânsito). Tais medidas visam não apenas reduzir a vulnerabilidade dos motociclistas em atividade, mas também contribuir para a formação de futuros condutores mais conscientes e responsáveis.

O estudo evidenciou como problema central a elevada incidência de acidentes envolvendo motociclistas em Volta Redonda (RJ), fenômeno diretamente relacionado à expansão da frota e à maior exposição de determinados grupos sociais, em especial jovens adultos e trabalhadores motofretistas. Observou-se fragilidade no processo de notificação, visto que mais de 50% dos registros não contemplaram informações referentes à ocupação ou à caracterização do evento como acidente de trabalho, configurando importante subnotificação e limitando a acurácia das análises em saúde do trabalhador. Ademais, a distribuição temporal das ocorrências, com maior concentração no período noturno e nos meses de agosto a dezembro, evidencia padrões sazonais que requerem intervenções específicas. Esses achados apontam para a necessidade de aperfeiçoamento das ações de vigilância em saúde e de integração intersetorial, envolvendo educação em trânsito, fiscalização, infraestrutura urbana e políticas públicas voltadas à promoção da saúde e segurança dos motociclistas.

Foram analisados 1.988 registros de acidentes envolvendo motociclistas em Volta Redonda (RJ), entre janeiro de 2023 e julho de 2025. Verificou-se predominância do sexo masculino (78%; n=1.551), enquanto o sexo feminino correspondeu a 22% (n=437). A faixa etária mais acometida foi a de 18 a 40 anos, que concentrou 75,6% (n=1.503) das ocorrências, ao passo que indivíduos com idade igual ou superior a 60 anos apresentaram participação pouco expressiva (< 5%). Quanto à ocupação, destacou-se a vulnerabilidade dos trabalhadores de motofretistas e entregas rápidas, que representaram 35% (n=696) dos registros. A análise temporal revelou padrão sazonal, com maior concentração de acidentes no segundo semestre, especialmente entre agosto e dezembro, período em que se observou elevação média de 22% em relação aos demais meses, com destaque para novembro e dezembro. Os achados indicam que os acidentes concentram-se em grupos de risco específicos (homens jovens e motoboys) e apresentam sazonalidade característica, evidenciando a necessidade de estratégias preventivas direcionadas. Nesse sentido, o município de Volta Redonda tem implementado ações intersetoriais, como a criação de pontos de apoio para motoboys, a utilização de sistema de monitoramento com cerca de duas mil câmeras, a oferta de cursos gratuitos de pilotagem segura e projetos educativos, a exemplo do Piloto Cidadão e da Mini Cidade do Trânsito. Tais iniciativas demonstram o empenho do poder público em proteger motociclistas e fomentar a formação de futuros condutores mais conscientes e responsáveis.

Para apoiar gestores e profissionais interessados em desenvolver práticas semelhantes, recomenda-se iniciar com o mapeamento e diagnóstico local, utilizando dados de sistemas oficiais, como o SINAN, boletins de ocorrência e registros hospitalares, identificando o perfil das vítimas em termos de sexo, idade, ocupação, horário e sazonalidade dos acidentes. A articulação intersetorial constitui etapa fundamental, integrando secretarias de Saúde, Trânsito, Educação e Segurança, bem como sindicatos, associações de motoboys e empresas de delivery. A definição de prioridades deve orientar as ações para os grupos mais vulneráveis, como jovens e motoboys, e investir em educação preventiva voltada a crianças e adolescentes.
No que tange às intervenções práticas, recomenda-se implantar pontos de apoio com estrutura mínima, incluindo locais para descanso, hidratação e manutenção preventiva, promover cursos de pilotagem segura e blitz educativas, além de ampliar campanhas de conscientização com foco em segurança viária e saúde do trabalhador. O uso de tecnologia e monitoramento deve incluir o mapeamento das áreas críticas de acidentes por meio de câmeras e estatísticas, permitindo direcionar ações para horários e locais de maior risco. Por fim, a avaliação e a sustentabilidade das ações exigem o estabelecimento de indicadores de impacto, como a redução do número de acidentes, da gravidade das ocorrências e da mortalidade, garantindo a continuidade por meio de políticas públicas permanentes.

autor Principal

Eluananda Borges Rodrigues

eluananda@gmail.com

Enfermeira

Coautores

Natália Braga Nunes, Alex Silva de Oliveira, Carlos Amaro Chicarino, Edineia Rosa Ferreira Sant´Anna, Milene Paula de Souza Silva, Sandro Pinheiro de Oliveira, Gláucia Hybner Rodrigues, Maria Izabel Alves Correa, José Guilherme Goulart Bustamante

A prática foi aplicada em

Volta Redonda

Rio de Janeiro

Sudeste

Esta prática está vinculada a

Rua Deputado Geraldo Di Biase, 282 - Aterrado, Volta Redonda - RJ, Brasil

Uma organização do tipo

Instituição Pública

Foi cadastrada por

Eluananda Borges Rodrigues

Conta vinculada

05 set 2025

CADASTRO

05 set 2025

ATUALIZAÇÃO

inicio

fim

Condição da prática

Andamento

Situação da Prática

Arquivos