favor seguir as recomendações abaixo:
O projeto representa uma continuidade histórica das práticas desenvolvidas por mulheres da Zona Oeste, desde 2006. Neste período, consolidaram-se a Coletiva Popular de Mulheres da Zona Oeste e a implementação da agroecologia na região do Maciço da Pedra Branca, onde atualmente se localizam três quilombos reconhecidos pela Fundação Palmares. O projeto, portanto, materializa a experiência e o conhecimento acumulados em um programa de continuidade histórica, com foco específico. Gerenciado pela Teia de Solidariedade da Zona Oeste, organização sucessora da coletiva de 2006, o projeto foi concebido a partir da Associação de Remanescentes do Quilombo da Nabilina, um dos três quilombos. A iniciativa surgiu durante a pandemia de Covid-19, impulsionada pela necessidade de fortalecer a segurança e soberania alimentar, tanto na comunidade quilombola quanto nas favelas e comunidades urbanas do entorno do Maciço da Pedra Branca.
A motivação principal foi a percepção da grave insegurança alimentar que assolava as favelas, comunidades urbanas e quilombos durante a pandemia. Diante disso, foram direcionados esforços para mitigar essa situação, considerando também a saúde integral. Denunciamos o nutricídio, definido como a carência de nutrientes na alimentação das famílias que compõem nossa organização de mulheres. Constatamos que o consumo de alimentos ultraprocessados disfarça a fome e prejudica a saúde, configurando, igualmente, uma forma de racismo alimentar.
Em contrapartida, o território possui uma forte prática de agroecologia, com plantio agroflorestal na região dos quilombos e agricultura urbana. Buscamos, assim, promover a conexão entre esses dois aspectos: divulgar os resultados da agroecologia e denunciar o racismo alimentar. A situação em que toneladas de alimentos se deterioram na área da Pedra Branca também evidencia o racismo alimentar, uma vez que a produção agroflorestal ocorre em um território que, além dos quilombos, é uma unidade de conservação integral. Essa disparidade representa, portanto, duas faces da mesma moeda: o desperdício de alimentos em um extremo e a ausência deles nas favelas e comunidades urbanas.
Importante esclarecer que ao longo da execução do projeto também foi executado o programa de aquisição de alimentos, o PA, no território. O PA é a compra institucional do governo federal da CONAB, da agricultura para os territórios que, no caso, também foram apontados no mesmo projeto. E para isso nós tivemos, além do pagamento aos agricultores, tivemos o apoio operacional logístico do Sesc Mesa Brasil que é um banco de alimentos do Sistema S. A CONAB pagava para os agricultores do Quilombo, o Quilombo organizava as entregas, quantificava, criava a documentação, o SESC entregava nas favelas e comunidades urbanas que nós apontamos que são as mesmas do território desenhado para o Projeto Teias Pretas. Então, o nosso principal resultado foi a entrega de 10 mil toneladas de alimentos. E cada uma destes momentos de entrega se fazia uma ou mais rodas de conversa que caracteriza essas rodas de educação popular. Esse foi o principal resultado. A partir disso, nós temos alguns dados que estão para ser consolidados. Escrevemos uma cartilha. Que está em processo de editoração, através de um parceiro do projeto, que é o programa de extensão da Universidade Federal Fluminense, eles estão editorando a cartilha que vai sair em 2026, a cartilha contando essa experiência de como a demanda surge das mulheres negras, como conquistam o orçamento junto ao governo federal e como executa através da entrega do alimento, mas também de um processo de educação popular. Esses são os principais resultados. No campo da saúde mental, o que nós conseguimos foi a implantação de dois espaços de práticas integrativas atendendo comunidades, favelas e comunidades urbanas também ali naquele território.
Observar o potencial agrícola do território que, eventualmente, está muito próximo aos territórios de maior vulnerabilidade alimentar. É muito comum territórios agrícolas também sofrerem insegurança alimentar na medida que o estado dá pouco incentivo à agricultura e o poder de compra das populações fica muito prejudicado quando suas lavouras não são identificadas como produtos agrícolas, sobretudo territórios racializados. E aí buscar essa relação entre territórios agrícolas e territórios de vulnerabilidade alimentar, por isso se faz através de feiras, de feiras solidárias, de cozinhas solidárias, essa relação é extremamente importante. Na eventualidade de não ter uma proximidade geográfica, é fundamental que se procurem os movimentos sociais do campo, se relacionem territórios de vulnerabilidade social e alimentar com os movimentos sociais do campo, fazendo esses fluxos entre. A necessidade da comida de verdade e os territórios que produzem alimento, sobretudo sem agrotóxico, sem veneno.
Quanto à gestão do projeto. É importante que o território consiga realizar passos curtos e não pretender realizar várias coisas ao mesmo tempo como nós fizemos. Eu acho que isso foi um entendimento meio tardio, mas que a gente precisa ter, primeiro, noção bastante distinta de quem pode fazer a gestão financeira do projeto. Depois, quem de fato consegue uma prática de redação, seja de relatório, seja de sistematização. É importante ter pessoas de gestão financeira e de redação.
R. Sd. Antônio da Silveira, 577 - Campo Grande, Rio de Janeiro - RJ, 23017-454, Brasil
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