Projeto Terapêutico Bora Pra Rua

Sérgio Cardoso.

Sergio Cardoso

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Sérgio Cardoso

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PROJETO TERAPÊUTICO “BORA PRA RUA”.

1. Contextualização
O Projeto Terapêutico “Bora Pra Rua” surge como estratégia de cuidado territorial no âmbito da Rede de Atenção Psicossocial, alinhado aos princípios da Reforma Psiquiátrica Brasileira e do Sistema Único de Saude.

A proposta fundamenta-se no cuidado em liberdade e na desinstitucionalização, compreendendo o território como espaço terapêutico. Parte-se da compreensão de que o sofrimento psíquico não deve ser tratado exclusivamente em espaços fechados, mas também na circulação social e cultural, na convivência comunitária e na construção de vínculos significativos.

2. Justificativa
Observou-se que muitos usuários apresentavam:

* Restrição significativa de circulação no território
* Dependência excessiva de familiares ou cuidadores
* Dificuldades em habilidades sociais
* Rompimento ou fragilidade de vínculos comunitários
* Histórico de internações psiquiátricas prolongadas

Diante disso, identificou-se a necessidade de uma intervenção que extrapolasse o espaço institucional e promovesse:

* Reinserção social
* Exercício de cidadania
* Acesso aos bens culturais da cidade
* Apropriação dos espaços públicos
* Fortalecimento da autonomia

O projeto justifica-se, portanto, como estratégia terapêutica que contribui para a reabilitação psicossocial e consolidação do cuidado comunitário.

O projeto foi desenvolvido no contexto do acompanhamento de usuários em atendimento em serviços substitutivos, como o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), especialmente aqueles que apresentavam isolamento social, dificuldades de autonomia e fragilidade na rede de apoio.

3. Objetivos
Objetivo Geral
Promover a reabilitação psicossocial por meio da ampliação da circulação no território e fortalecimento da autonomia dos usuários.

Objetivos Específicos
* Estimular habilidades sociais e comunicativas
* Incentivar o uso de equipamentos públicos
* Trabalhar noções de orientação espacial e mobilidade urbana
* Fortalecer vínculos entre usuários, equipe e comunidade
* Reduzir estigmas relacionados ao sofrimento mental

4. Metodologia de Implementação
4.1 Planejamento
* Levantamento do perfil dos usuários
* Identificação de interesses individuais e coletivos
* Discussão em equipe interdisciplinar
* Construção integrada ao Projeto Terapêutico Singular (PTS)

4.2 Atividades Desenvolvidas

As ações incluíram:
* atividades em seminários, assembleias, teatros, praças, parques, pontos turísticos, shows, cinemas e museus.
* Visitas a equipamentos culturais
* Participação em eventos comunitários
* Atividades esportivas ao ar livre
* Treino de uso de transporte público
* Interação com comércio local

As atividades são previamente organizadas, com definição de objetivos terapêuticos claros para cada saída.

4.3 Equipe Envolvida
Oficineiro e Psicólogo

5. Desenvolvimento da Experiência

Inicialmente, observou-se resistência e insegurança por parte de alguns usuários. No entanto, ao longo das atividades, percebeu-se:
* Maior interação social
* Redução de comportamentos de evitação
* Ampliação da autonomia no deslocamento
* Relatos de melhora na autoestima
* Maior participação nas atividades internas do serviço

O território passou a ser compreendido como espaço de cuidado e não como ambiente ameaçador.

6. Resultados Observados
* Fortalecimento do vínculo usuário-equipe
* Ampliação da rede social
* Redução de crises relacionadas ao isolamento
* Maior adesão ao tratamento
* Desenvolvimento de protagonismo

7. Desafios Enfrentados
* Resistência inicial de familiares
* Limitações de recursos financeiros
* Logística de transporte
* Estigma social
* Necessidade de articulação intersetorial

8. Considerações Finais
O Projeto Terapêutico “Bora Pra Rua” demonstrou ser uma estratégia potente no processo de reabilitação psicossocial, reforçando os princípios do cuidado em liberdade e da atenção territorializada.

A experiência evidência que o território, quando apropriado como espaço terapêutico, promove inclusão, autonomia e cidadania, consolidando os pressupostos da política pública de saúde mental brasileira.

O relato parte da constatação de que muitos usuários acompanhados pelo Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil – CAPSi João de Barro, apresentavam isolamento social persistente, baixa autonomia e pouca circulação no território, mesmo inseridos na Rede de Atenção Psicossocial. Observou-se que as intervenções concentravam-se majoritariamente no espaço institucional, limitando experiências comunitárias e o exercício da cidadania. Diante disso, identificou-se a oportunidade de qualificar o cuidado por meio de ações externas estruturadas, capazes de ampliar vínculos sociais, fortalecer a reabilitação psicossocial e consolidar os princípios do cuidado em liberdade preconizados pelo Sistema Unico de Saude.

A implementação do Projeto Terapêutico “Bora Pra Rua” possibilitou a ampliação da circulação dos usuários no território, fortalecimento de vínculos sociais e maior adesão ao cuidado ofertado pelo Centro de Atenção Psicossocial, no âmbito da Rede de Atenção Psicossocial. Observou-se melhora na autonomia para uso de transporte público, maior participação em atividades comunitárias e redução do isolamento social.

Como inovação, a prática ressignificou o território como espaço terapêutico ativo, superando o modelo centrado exclusivamente no ambiente institucional. Entre as principais lições aprendidas destacam-se a importância do planejamento interdisciplinar, da corresponsabilização da equipe e do diálogo com a comunidade para redução do estigma. A experiência reforçou os princípios do cuidado em liberdade e da promoção da cidadania previstos no Sistema Unico de Saude, demonstrando que intervenções territorializadas potencializam a reabilitação psicossocial e qualificam os serviços de saúde mental.

Para implementar prática semelhante, recomenda-se inicialmente realizar diagnóstico do perfil dos usuários e mapear os recursos do território (praças, equipamentos culturais, transporte e serviços comunitários). É fundamental que a proposta esteja integrada ao Projeto Terapêutico Singular (PTS) e alinhada às diretrizes da Rede de Atenção Psicossocial.

Sugere-se planejamento prévio das saídas, definição clara de objetivos terapêuticos e avaliação contínua dos riscos e potencialidades. O envolvimento da equipe interdisciplinar do Centro de Atenção Psicossocial fortalece a corresponsabilização e amplia as possibilidades de intervenção. Também é muito importante dialogar com os usuários, familiares e com a comunidade para reduzir estigmas e ampliar o apoio social.
Por fim, recomenda-se iniciar com atividades de menor complexidade, respeitando o ritmo dos usuários, e registrar sistematicamente os resultados para qualificar a prática e contribuir com a consolidação do cuidado em liberdade preconizado pelo Sistema Unico de Saude.

autor Principal

Sérgio Cardoso.

sergiocardoso.prod@gmail.com

Oficineiro (Técnico em Saúde Mental)

Coautores

Sérgio Cardoso, Meiry Lane, Fagner Medeiros, Ricardo Fernandes

A prática foi aplicada em

Rio de Janeiro

Rio de Janeiro

Sudeste

Esta prática está vinculada a

Estrada do Campinho, s/n, bairro Santa Margarida, Campo Grande – CEP: 23.066-540 / RJ.

Uma organização do tipo

Instituição Pública

Foi cadastrada por

Sérgio Cardoso

Conta vinculada

27 fev 2026

CADASTRO

02 mar 2026

ATUALIZAÇÃO

24 mar 2022

inicio

fim

Condição da prática

Andamento

Situação da Prática

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