favor seguir as recomendações abaixo:
PROJETO TERAPÊUTICO “BORA PRA RUA”.
1. Contextualização
O Projeto Terapêutico “Bora Pra Rua” surge como estratégia de cuidado territorial no âmbito da Rede de Atenção Psicossocial, alinhado aos princípios da Reforma Psiquiátrica Brasileira e do Sistema Único de Saude.
A proposta fundamenta-se no cuidado em liberdade e na desinstitucionalização, compreendendo o território como espaço terapêutico. Parte-se da compreensão de que o sofrimento psíquico não deve ser tratado exclusivamente em espaços fechados, mas também na circulação social e cultural, na convivência comunitária e na construção de vínculos significativos.
2. Justificativa
Observou-se que muitos usuários apresentavam:
* Restrição significativa de circulação no território
* Dependência excessiva de familiares ou cuidadores
* Dificuldades em habilidades sociais
* Rompimento ou fragilidade de vínculos comunitários
* Histórico de internações psiquiátricas prolongadas
Diante disso, identificou-se a necessidade de uma intervenção que extrapolasse o espaço institucional e promovesse:
* Reinserção social
* Exercício de cidadania
* Acesso aos bens culturais da cidade
* Apropriação dos espaços públicos
* Fortalecimento da autonomia
O projeto justifica-se, portanto, como estratégia terapêutica que contribui para a reabilitação psicossocial e consolidação do cuidado comunitário.
O projeto foi desenvolvido no contexto do acompanhamento de usuários em atendimento em serviços substitutivos, como o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), especialmente aqueles que apresentavam isolamento social, dificuldades de autonomia e fragilidade na rede de apoio.
3. Objetivos
Objetivo Geral
Promover a reabilitação psicossocial por meio da ampliação da circulação no território e fortalecimento da autonomia dos usuários.
Objetivos Específicos
* Estimular habilidades sociais e comunicativas
* Incentivar o uso de equipamentos públicos
* Trabalhar noções de orientação espacial e mobilidade urbana
* Fortalecer vínculos entre usuários, equipe e comunidade
* Reduzir estigmas relacionados ao sofrimento mental
4. Metodologia de Implementação
4.1 Planejamento
* Levantamento do perfil dos usuários
* Identificação de interesses individuais e coletivos
* Discussão em equipe interdisciplinar
* Construção integrada ao Projeto Terapêutico Singular (PTS)
4.2 Atividades Desenvolvidas
As ações incluíram:
* atividades em seminários, assembleias, teatros, praças, parques, pontos turísticos, shows, cinemas e museus.
* Visitas a equipamentos culturais
* Participação em eventos comunitários
* Atividades esportivas ao ar livre
* Treino de uso de transporte público
* Interação com comércio local
As atividades são previamente organizadas, com definição de objetivos terapêuticos claros para cada saída.
4.3 Equipe Envolvida
Oficineiro e Psicólogo
5. Desenvolvimento da Experiência
Inicialmente, observou-se resistência e insegurança por parte de alguns usuários. No entanto, ao longo das atividades, percebeu-se:
* Maior interação social
* Redução de comportamentos de evitação
* Ampliação da autonomia no deslocamento
* Relatos de melhora na autoestima
* Maior participação nas atividades internas do serviço
O território passou a ser compreendido como espaço de cuidado e não como ambiente ameaçador.
6. Resultados Observados
* Fortalecimento do vínculo usuário-equipe
* Ampliação da rede social
* Redução de crises relacionadas ao isolamento
* Maior adesão ao tratamento
* Desenvolvimento de protagonismo
7. Desafios Enfrentados
* Resistência inicial de familiares
* Limitações de recursos financeiros
* Logística de transporte
* Estigma social
* Necessidade de articulação intersetorial
8. Considerações Finais
O Projeto Terapêutico “Bora Pra Rua” demonstrou ser uma estratégia potente no processo de reabilitação psicossocial, reforçando os princípios do cuidado em liberdade e da atenção territorializada.
A experiência evidência que o território, quando apropriado como espaço terapêutico, promove inclusão, autonomia e cidadania, consolidando os pressupostos da política pública de saúde mental brasileira.
O relato parte da constatação de que muitos usuários acompanhados pelo Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil – CAPSi João de Barro, apresentavam isolamento social persistente, baixa autonomia e pouca circulação no território, mesmo inseridos na Rede de Atenção Psicossocial. Observou-se que as intervenções concentravam-se majoritariamente no espaço institucional, limitando experiências comunitárias e o exercício da cidadania. Diante disso, identificou-se a oportunidade de qualificar o cuidado por meio de ações externas estruturadas, capazes de ampliar vínculos sociais, fortalecer a reabilitação psicossocial e consolidar os princípios do cuidado em liberdade preconizados pelo Sistema Unico de Saude.
A implementação do Projeto Terapêutico “Bora Pra Rua” possibilitou a ampliação da circulação dos usuários no território, fortalecimento de vínculos sociais e maior adesão ao cuidado ofertado pelo Centro de Atenção Psicossocial, no âmbito da Rede de Atenção Psicossocial. Observou-se melhora na autonomia para uso de transporte público, maior participação em atividades comunitárias e redução do isolamento social.
Como inovação, a prática ressignificou o território como espaço terapêutico ativo, superando o modelo centrado exclusivamente no ambiente institucional. Entre as principais lições aprendidas destacam-se a importância do planejamento interdisciplinar, da corresponsabilização da equipe e do diálogo com a comunidade para redução do estigma. A experiência reforçou os princípios do cuidado em liberdade e da promoção da cidadania previstos no Sistema Unico de Saude, demonstrando que intervenções territorializadas potencializam a reabilitação psicossocial e qualificam os serviços de saúde mental.
Para implementar prática semelhante, recomenda-se inicialmente realizar diagnóstico do perfil dos usuários e mapear os recursos do território (praças, equipamentos culturais, transporte e serviços comunitários). É fundamental que a proposta esteja integrada ao Projeto Terapêutico Singular (PTS) e alinhada às diretrizes da Rede de Atenção Psicossocial.
Sugere-se planejamento prévio das saídas, definição clara de objetivos terapêuticos e avaliação contínua dos riscos e potencialidades. O envolvimento da equipe interdisciplinar do Centro de Atenção Psicossocial fortalece a corresponsabilização e amplia as possibilidades de intervenção. Também é muito importante dialogar com os usuários, familiares e com a comunidade para reduzir estigmas e ampliar o apoio social.
Por fim, recomenda-se iniciar com atividades de menor complexidade, respeitando o ritmo dos usuários, e registrar sistematicamente os resultados para qualificar a prática e contribuir com a consolidação do cuidado em liberdade preconizado pelo Sistema Unico de Saude.
Estrada do Campinho, s/n, bairro Santa Margarida, Campo Grande – CEP: 23.066-540 / RJ.
CADASTRO
ATUALIZAÇÃO