favor seguir as recomendações abaixo:
A Metodologia VAV (Vida Além da Violência) é uma tecnologia social de gestão e vigilância intersetorial desenvolvida pelo Núcleo ARTE VIVA em Mangaratiba, RJ, institucionalizado via Portaria Municipal nº 1/2019 e fundamentado na Portaria Ministerial MS nº 936/2004, o que assegura sua continuidade como política de Estado e não apenas de governo. A iniciativa justifica-se pela urgência em romper o silêncio epidemiológico e converter a rede de ensino em uma Unidade Sentinela da Saúde. O objetivo geral é institucionalizar o cuidado integral através da transformação das escolas em pontos ativos de proteção sob curadoria técnica da Saúde, garantindo a resolutividade do fluxo e a segurança dos profissionais. O Núcleo ARTE VIVA opera de forma multidimensional, possuindo frentes de assistência direta, como a Sala Lilás, e frentes de interface pedagógica, como o programa ARTE VIVA vai à Escola. Este último é o responsável pela execução da Metodologia VAV no território escolar, atuando sob a ótica do cuidar de quem cuida, instrumentalizando professores, orientadores, pais e responsáveis. A metodologia estrutura-se em quatro pilares fundamentais. A Identificação foca na instrumentalização das equipes para o reconhecimento qualificado das violências, combatendo a banalização de agravos. A Notificação Assistida qualifica o preenchimento da Ficha SINAN. O Manejo estabelece equipes de referência locais para o encaminhamento resolutivo. Por fim, o Monitoramento é realizado pela PDU (Planilha Dinâmica Unificada), ferramenta de baixo custo que permite uma curadoria artesanal dos dados, eliminando duplicidades e consolidando o MAVICA (Mapa Anual das Violências) como instrumento de inteligência epidemiológica.
O problema central que motivou a experiência foi o cenário de silêncio epidemiológico identificado nos Relatórios Detalhados Quadrimestrais Anteriores (RDQA) de Mangaratiba no ano de 2024. A análise técnica revelou que as unidades de Saúde, Educação e Assistência operavam em regime de intermitência, as denominadas unidades pisca-pisca, nas quais o diálogo intersetorial existia, mas carecia de uma engenharia técnica capaz de assegurar a continuidade e a qualidade dos fluxos de notificação. Esse isolamento institucional resultava na subnotificação de agravos e na fragilidade da rede de proteção integral.
A oportunidade identificada residiu na possibilidade de converter a rede de ensino em um braço avançado de vigilância e proteção por meio da Metodologia VAV. Ao romper o isolamento da Educação, buscou-se instrumentalizar os profissionais para que o reconhecimento das violências deixasse de ser uma ação subjetiva e se tornasse uma prática sistêmica, segura e territorializada. A experiência focou na transformação dessas unidades em sentinelas ativas, garantindo que a inteligência epidemiológica fosse capaz de retroalimentar as políticas públicas com dados fidedignos e soberania das informações locais.
Para avaliar o impacto da Metodologia VAV no cenário de silêncio epidemiológico, analisou-se a evolução do número de unidades escolares notificadoras entre 2021 e 2025. O universo amostral compreendeu 51 instituições, sendo 41 municipais, 4 estaduais e 6 particulares. Em 2021, observou-se ausência total de registros. Após a implementação da interface ARTE VIVA vai à Escola, os indicadores demonstraram uma tendência de crescimento sustentado, de modo que em 2022 o percentual de escolas notificadoras foi de 17,6%, saltando para 29,4% em 2023. Com a consolidação da Metodologia VAV em 2024, o índice atingiu 45%, alcançando o patamar de 58,8% ao final de 2025. Para validar a significância deste aumento, aplicou-se o teste estatístico Qui-Quadrado de Pearson, que confirmou uma associação estatisticamente significante (p<0,05) entre o tempo de implementação do VAV e o incremento das unidades notificadoras. Este resultado rejeita a hipótese de casualidade e prova que a Metodologia VAV foi o vetor que permitiu a capilarização da Vigilância em Saúde e a segurança técnica dos profissionais da educação no território. Ao converter as escolas em Unidades Sentinelas, o VAV institucionalizou a intersetorialidade, transformando o reconhecimento do agravo em uma prática sistêmica e rompendo, definitivamente, o isolamento da Educação na rede de proteção. O incremento das notificações permitiu que os casos identificados fossem inseridos na rede de cuidado assistencial, garantindo o acompanhamento pela Sala Lilás ou órgãos de proteção competentes e fechando o ciclo entre a inteligência de dados e o cuidado real.
Para a replicação desta tecnologia social, recomenda-se que a gestão municipal siga um roteiro estruturado em cinco etapas fundamentais. A base para a sustentabilidade deve ser a garantia jurídica do serviço via Portaria, Decreto ou propostas legislativas, fundamentadas na Portaria Ministerial MS nº 936/2004, assegurando que o Núcleo possua autonomia para gerir frentes de assistência e de matriciamento. A primeira etapa consiste na implementação da Ficha SINAN como instrumento técnico único para todas as portas de entrada. A segunda etapa envolve a criação da PDU (Planilha Dinâmica Unificada), hub de inteligência para reunir e cruzar informações do SINAN oficial e do SINAN Complementar. Na terceira etapa, deve-se construir o MAVICA para diagnósticos territoriais. A quarta etapa foca na instrumentalização das escolas como Unidades VAV (Sentinela) através da interface ARTE VIVA vai à Escola, cumprindo critérios de fluxos oficiais e transversalidade curricular. Este modelo garante a segurança técnica do profissional da educação, pois retira o peso da decisão individual do professor e a transfere para o fluxo institucional do Núcleo, protegendo quem notifica. Por fim, a quinta etapa estabelece a Acreditação Periódica Anual para avaliar se os pontos acordados para o funcionamento da Unidade VAV permanecem ativos.
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