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Acolhimento e co-gestão do cuidado

Os processos de trabalho dentro da saúde, nos diferentes níveis, são atravessados pelas urgências em saúde dos usuários. No escopo de atendimento da atenção primária à saúde (APS), tem-se como maior atravessamento as relações entre profissional e usuários; ações as quais são promotoras do vinculo. A vinculação do usuário com os profissionais é fundamental para o desenvolver os atributos da APS.
Um dos processos mais complexos e importantes da atenção primária à saúde é o momento de acolhimento aos usuários que chegam ao serviço. Esse processo torna-se desafiante seja pelo fator quantidade de usuários que acessam, seja pela complexidade dos casos, seja pela dinâmica do serviço.
Objetiva-se neste trabalho evidenciar a praticidade da ferramenta em questão para o acolhimento à demanda espontânea na atenção primária à saúde.

O acolhimento é um dos ambientes mais potentes para a fomentação do vínculo com os usuários; é por isso também que este momento é crucial para toda lógica da APS.
Baseado na relevância do momento de acolhimento citado anteriormente que todos os envolvidos com APS ― direta e/ou indiretamente ― buscam aperfeiçoar o atendimento dentro do acolhimento, para tal procura-se ferramentas ― de tecnologias duras e/ou leves ― para proporcionar um ambiente verdadeiramente acolhedor ao usuário e aprazível aos profissionais.
O acolhimento torna-se um desafio, a partir do momento que o agente está separado por um espaço físico dos demais profissionais técnicos e precisa dar um direcionamento para os atendimentos que chegam a unidade.
Neste relato vamos descrever a experiência de reorganização do momento de acolhimento por meio de ferramenta digital para trabalhar a co-gestão do cuidado dos casos: denominada planilha de demanda espontânea.
A planilha possuía como dados: o nome, idade, se pertencia a algum grupo de risco, a qual equipe era vinculado e um breve relato do caso, fornecidos pelo agente de saúde, o qual acolhia os usuários na entrada ao serviço. Os demais profissionais de saúde liam, em tempo real, avaliavam e escreviam qual o direcionamento do usuário de acordo com a necessidade apresentada. Assim os ACS mantinham-se conectados em tempo real aos demais profissionais de saúde. Reduzindo espaços e qualificando o acolhimento ao usuário.

O processo de implementação iniciou-se em março/ abril de 2022 ― e permanece em uso ― após solicitações dos agentes comunitários de saúde, os quais indicaram complicações no processo de acolhimento dos usuários quando tinha-se uma equipe incompleta, quando o caso tinha maior complexidade, quando o fluxo usuário encontrava-se elevado.
A responsável técnica de enfermagem daquela época sugeriu a implementação de uma planilha para facilitar a cogestão dos casos e direcionamento conjunto dos usuários. A planilha foi bem aceita pelos agentes comunitários de saúde, os quais sentiram-se amparados dentro desse processo. A equipe técnica aprovou a ideia mas demorou para se adaptar a ferramenta.
A ferramenta reduz o tempo de espera para usuários que necessitam de algum atendimento em saúde; a equipe obtém um registro daquela microgestão do caso de demanda, além da ferramenta possibilitar a confecção posterior de relatórios de estudo da demanda espontânea, delimitando um perfil das queixas e usuários os quais acessam o serviço; as informações preenchidas nesta planilha podem ser básicas, apenas para direcionamento do usuário, ou mais voltadas para gerar dados relevantes para o perfil de saúde da população em questão. Os dados utilizados especificamente nesta experiência foram: data e hora, nome completo, equipe vinculada, se o usuário pertencia a algum grupo prioritário, resumo do caso, descrito em frase única e curta, além disso espaço para desfecho do caso/ direcionamento do usuário.
Ao ler o breve relato na planilha, o profissional da equipe técnica ― seja médico, enfermeiro, técnico de enfermagem ou até mesmo a própria gestão ― sinalizam na planilha o desfecho. Dessa forma os outros profissionais conseguem estar ‘presente’ no acolhimento mesmo estando em outra sala. Ademais, todos conseguem ter acesso simultaneamente e avaliar as questões em conjunto. Priorizava-se o atendimento do usuário pela sua equipe de referência mas nos momentos de equipe incompleta, seja por questões temporárias ou de tempo indeterminado, o usuário era direcionado a outra equipe com menor números de atendimento ou pré-estabelecida por escala, de forma que nenhum usuário era deixado sem atendimento.
A implementação da planilha não impede a ida pessoalmente ao encontro do usuário em casos mais delicados. Pelo contrário, permitia identificar situações as quais o agente irá precisar de apoio presencial, seja da equipe técnica, seja da gestão.

Como percepção geral acerca do tema abordado, pontua-se a necessidade da criação de um software ou a própria utilização da ferramenta aqui citada como mecanismo de organização dos usuários que buscam a unidade com alguma queixa espontânea.

Principal

Caroline Gradim Moraes

carolinegradim@gmail.com

Enfermeira

Coautores

Rayra dos Santos Spindola

A prática foi aplicada em

Rio de Janeiro

Rio de Janeiro

Sudeste

Esta prática está vinculada a

Rua Afonso Cavalcanti, 455 – 7º andar Cidade Nova – Rio de Janeiro/RJ CEP: 20.211-110

Uma organização do tipo

Instituição Pública

Foi cadastrada por

Caroline Gradim Moraes

Conta vinculada

A prática foi cadastrada em

13 abr 2024

e atualizada em

14 abr 2024

Condição da prática

Concluída

Situação da Prática

Arquivos

Palavras-chave

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